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Judaizar é um verbo da língua portuguesa, palavra muito antiga quase não é usada hoje no falar corrente. Mas judaizar está no dicionário, constando como sendo seu significado: a prática dos ritos e costumes judaicos. Em outras palavras, judaizar é viver como judeu de modo ativo, é ser judeu através de suas ações. Certamente este é um verbo intransitivo- Eu judaízo, você judaíza, nós judaizamos- não é necessário dizer mais nada. E, no entanto, um riquíssimo feixe de significados e situações advém da atitude de viver judaicamente. As palavras têm história, seu significado vai mudando com o passar do tempo. Há uns trezentos anos atrás, durante a época da inquisição em Portugal e no Brasil colonial, o verbo judaizar tinha um significado pejorativo. Nos documentos da inquisição os judaizantes eram considerados culpados de uma prática herética e subversiva: viverem como judeus apesar de todas as proibições.
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mas também cada ação no mundo pode ser realizada à partir dos parâmetros de ética judaica. Somente desse modo é possível lançar flechas ao futuro criando condições para que essa ética se reproduza nas próximas gerações.
Recuperado no seu sentido positivo judaizar se torna o caminho pelo qual a pessoa judia se realiza plenamente como ser humano. É indo ao nosso interior, que encontramos a nossa essência. Numa dimensão um pouco mais profunda, é também uma atitude interior. Não bastam atos exteriores, que todos podem observar, é necessária uma disposição do coração e da mente. É necessário que essa seja a nossa agenda para a auto-humanização. Como diz a própria Torah, à circuncisão física deve corresponder a uma outra feita no coração. Tomando um exemplo do momento, uma das mensagens de sukot é que nossa vida judaica precisa ser vivida com alegria. Historicamente já foi muito difícil manter uma vida judaica, várias pessoas em diferentes épocas sofreram muito para continuar vivendo como judeus, mas a vida judaica não é apenas sofrimento. Há uma dimensão alegre em viver como judeu, em judaizar. A observância externa sozinha é folclore, a atitude interior que não se realiza em atos é devaneio. O judeu deve ser um homem ou uma mulher de ação. Segundo Max Sheller, filósofo judeu alemão de início do século XX, a pessoa não é uma coisa, não é um objeto, é antes uma entidade em constante movimento interno e externo. A pessoa é em atos e atitudes. Somente na pessoa ser é substantivo e verbo ao mesmo tempo. A proposta da Torah é a de nossa realização plena - shlemá - como pessoa. A pessoa não como o ego, indivíduo solitário e anti-social, pois a pessoa só se realiza numa dimensão cósmica e comunitária. Em outras palavras, para a plena realização da pessoa humana é muito importante a busca espiritual. Se a Torah é nossa agenda para a plena realização de cada um de nós como seres humanos, então judaizar é humanizar.
Rabino Alexandre Leone |
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Judaizar hoje é o primeiro passo para que os nossos descendentes sejam também eles judeus, estejam conectados com a corrente multi-geracional de nossa tradição. |
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Não bastam atos exteriores, que todos podem observar, é necessária uma disposição do coração e da mente.
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Quem era visto recusando-se a comer certas carnes, comemorando o shabat, evitando comer pão em pessach ou jejuando no kipur era denunciado ao tribunal e tratado como um criminoso. Basta assistir o filme O Judeu ou ler o livro Isaque de Castro de Elias Lipner, para entender como judaizar era perigoso. E no entanto para os marranos, os criptos |
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Judaizar hoje é o primeiro passo para que os nossos descendentes sejam também eles judeus, estejam conectados com a corrente multi-geracional de nossa tradição. |
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judeus, viver judaicamente era conseqüência natural de viver autenticamente. Tal como para o artista é natural se expressar fazendo arte, para os judaizantes era natural expressar-se vivendo como judeu, essa era sua arte.
O rebe Zalman Shachter, que vive atualmente na cidade de Filadélfia nos Estados Unidos, certa vez ensinou algo muito interessante, durante uma de suas visitas ao Brasil. Dizia o rebe Zalman naquela ocasião: “A palavra judeu (jew em inglês) não deva ser entendida como um substantivo isto é, como um rótulo estático. Judeu é um verbo (to jew). Desse modo ensinava ele nessa ocasião, que o judeu é judeu através de suas ações. Não apenas as práticas rituais, |
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